sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Slater a poucas ondas de se tornar o segundo maior da história do esporte


Conquista do décimo título deve ser em Porto Rico, onde o americano costumava surfar na adolescência. Janela de espera começa neste sábado.

Na década de 80, o pequeno Kelly Slater, baixinho e cabeludo, começou a frequentar Porto Rico, uma opção para as nem sempre boas condições de surfe na Flórida, onde morava com a mãe e os irmãos. Neste sábado, ele voltará para lá e, numa cidade com nome de mulher - Isabela -, contará as ondas que faltam para o maior feito de sua carreira. O careca de 38 anos está muito perto do décimo caneco do Circuito Mundial. Em todos os esportes, apenas um atleta, já aposentado, foi além: o italiano Giacomo Agostini, 15 vezes campeão na motovelocidade.

A corrida pelo título dificilmente irá para a décima e última etapa, no Havaí, berço do surfe e onde o americano já venceu seis vezes. Para ser campeão em Porto Rico, Slater só precisa chegar às semifinais. Mas a agonia pode terminar bem antes: basta o sul-africano Jordy Smith cair antes das quartas de final (veja no fim todas as condições para o título).

A grande dúvida é quando e como Slater será campeão: surfando ou sentado no palanque, como em 2005. Naquele ano, em Imbituba (SC), o então pentacampeão do mundo tentava voltar ao topo. Amargava um jejum que começou em 1998, depois do título mundial e de umas férias de quase três temporada - só competia como convidado. Nesse período, viu surgir seu maior adversário: o havaiano Andy Irons.

Sim, era Irons quem podia batê-lo em 2005. O havaiano vinha de três canecos seguidos. Mas, ali, foi a hora de Slater. A hora do ressurgimento. Uma reinvenção que parece não ter mais fim.

Em tempos de aéreos e surfistas "voadores", como Jordy, o americano Dane Reynolds e o potiguar Jadson André, Slater correu atrás. Foi acrescentando manobras a seu repertório e passando pelos adversários com técnica e força física invejável para um quase quarentão.

Jadson estará em Porto Rico, assim como o paulista Adriano de Souza, o Mineirinho. Neste ano, o potiguar conquistou sua única vitória do Circuito Mundial em Imbituba (SC), contra, adivinhem? Kelly Slater. Mineirinho quase fez o mesmo, no ano passado. Perdeu na final da única etapa brasileira. Depois da premiação, Slater pediu para tirar uma foto ao lado do brasuca. Nesta semana, talvez seja a vez de Mineirinho pedir a dele.

A janela de espera em Porto Rico começa neste sábado e termina no dia 10. Além de Slater, a australiana Stephanie Gilmore também pode ser campeã, tetracampeã. A paranaense Bruna Schmitz e a cearense Silvana Lima tentarão carimbar a faixa.

Condições para o título de Kelly Slater:
- Se Jordy Smith cair antes das quartas de final em Porto Rico, Kelly Slater conquista o décimo título mundial
- Se Slater chegar às semifinais em Porto Rico, conquista o décimo título mundial
- Se Slater terminar em quinto ou em nono, Smith tem que vencer a etapa de Porto Rico para levar a decisão ao Havaí
- Se Slater terminar em 13º ou em 25º, Smith tem que ao menos chegar às semifinais para levar o título ao Havaí

Baterias da primeira fase:
1: Adrian Buchan (AUS), Kieren Perrow (AUS), Travis Logie (AFS)
2: Dane Reynolds (EUA), Taylor Knox (EUA), Roy Powers (HAV)
3: Taj Burrow (AUS), Tiago Pires (PRT), Luke Munro (AUS)
4: Mick Fanning (AUS), Patrick Gudauskas (EUA), Gabe Kling (EUA)
5: Jordy Smith (AFS), Brett Simpson (EUA), convidado
6: Kelly Slater (EUA), Daniel Ross (AUS), convidado
7: Bede Durbidge (AUS), Fredrick Patacchia (HAV), Dusty Payne (HAV)
8: Owen Wright (AUS), Andy Irons (HAV), Luke Stedman (AUS)
9: Adriano de Souza (BRA), Bobby Martinez (EUA), Kai Otton (AUS)
10: Damien Hobgood (EUA), Jeremy Flores (FRA), Matt Wilkinson (AUS)
11: C.J. Hobgood (EUA), Jadson Andre (BRA), Tom Whitaker (AUS)
12: Michel Bourez (TAH), Chris Davidson (AUS), Adam Melling (AUS)

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